segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Anjos e demônios


A Bíblia está repleta de manifestações de espíritos, que ela denomina de anjos ou espíritos evoluídos, de alto nível. E todos eles eram chamados de deuses pagãos, que na verdade, eram espíritos manifestantes.
Somente o espírito de Javé era tido como sendo o de Deus verdadeiro. Acontece que Javé mesmo (seria este espírito, realmente, o de Deus?) nunca se manifestou diretamente a ninguém. Moisés caiu no erro de afirmar que viu Deus face a face (Gênesis 32,30; e Êxodo 33,11). Mas, depois, ele se retratou, dizendo que quem vir Deus não pode continuar vivo (Êxodo 33,20). E o apóstolo João também afirmou, em sua Primeira Carta, que ninguém jamais viu a Deus (1 João 4,12).


Noto que os católicos carismáticos, os protestantes e os evangélicos têm um pavor tremendo de espíritos. Cientistas de várias partes do mundo, tais como o inglês William Crookes (descobridor do Tálio e da energia radiante e Prêmio Nobel de Física, em 1919); o italiano Ernesto Bozzano; o médico francês Charles Richet (Prêmio Nobel de Fisiologia, em 1913); o russo Akasakof e o francês Gustave Geley (elogiado por Jung) eram descrentes do Espiritismo, mas se converteram a ele depois que constataram as suas verdades pesquisadas com todo o rigor científico.

Isso deixou a Igreja apavorada e levou o Vaticano a fazer uma advertência, no final do século XIX, que dizia que ou a Igreja destruiria o Espiritismo ou o Espiritismo a destruiria, pelo que os católicos teriam que atacá-lo com todas as armas. E esses ataques aconteceram de fato. Foram calúnias, maldições e deturpações sem trégua durante décadas, tendo os protestantes se engajado também nessa campanha difamatória.E até os judeus foram convidados a participarem dela. E, assim, até hoje, ainda há gente simplória que pensa que o Espiritismo é coisa de demônios, charlatanice, loucura e feitiçaria. Numa coisa eles estão certos: os espíritas entram em contato com os demônios. Mas que estudem hermenêutica e semântica e vejam que no tempo em que a Bíblia foi escrita, demônios (daimones em grego) significavam almas ou espíritos desencarnados e que passaram a ter, com o tempo, nos meios cristãos, um sentido de espíritos impuros ou maus, porque Jesus só expulsou demônios “impuros” das pessoas, afinal, demônios já purificados não perturbam ninguém.

Outro nome que a Bíblia dá aos espíritos desencarnados, em vez de demônios, é de deuses (Salmo 6,2; e João 10,34).
Pregando para os espíritos

Alguns teólogos dizem que a morte de Jesus destruiu a mansão dos mortos, quando essa expressão se refere aos mortos no nosso mundo físico e cujos cadáveres ficaram no cemitério. A mansão dos mortos seria um estado de consciência dos espíritos, é o Além, o mundo dos espíritos desencarnados, é a nossa verdadeira morada. Jesus foi até lá pregar aos espíritos dominados pelo “pecado” (1 Pedro 4,6), o que deixa claro que quem está lá ainda tem chance de ser um espírito bom, mesmo que esteja em pecado.E a essa vibração ambiental dos espíritos dos mortos, a Bíblia denomina de hades, sheol, geena, ínferos (infernos), limbo, tártaros etc. Jesus foi pregar para os espíritos de lá.
Mas cada espírito está na vibração que merece, pois na casa do Pai há várias moradas.

Os carismáticos católicos gostam muito de advertir os espíritas no sentido de que eles têm de ter cuidado para não serem enganados por espíritos maus. Isso é doutrina bíblica e espírita. Realmente, a Bíblia nos manda examinar os espíritos para sabermos se são bons ou maus (1 São João 4,2). E os carismáticos ignoram que é o Espiritismo que mais ensina isso. Os carismáticos ignoram que quem mais estuda os espíritos são os espíritas e que, ao darem seus conselhos aos espíritas, estão fazendo o que Kardec manda! E poucos carismáticos sabem que o próprio vocábulo carismático (do grego “carismata”) quer dizer médium! Mas por que os carismáticos têm tanto medo de espíritos? Ao desencarnarem, eles podem não se tornar espíritas, mas vão logo descobrir que são espíritos!

Artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição 59.
Escrito por José Reis Chaves

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