sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Um impossível amor: As cataratas do Iguaçú

No mundo há a constante luta entre o bem o mal e para garantir a vitória do bem na primaveira uma bela jovem da aldeia era oferecida para casar com o mal. Um dia Naipi, a lindíssima filha do cacique foi a escolhida.

Quando os preparativos do casamento iam avançando, Naipi conheceu Tarobá, um valente guerreiro, também muito bonito. Os dois se apaixonaram imediatamente e não puderam controlar esse amor.

Fizeram juras de amor e fugiram em uma canoa na véspera da festa de casamento de Naipi com o mal. Mas o mal, com todo seu poder, sabia de tudo e se vingou. Quando os dois estavam descendo pelo rio,. felizes em sua canoa, viram o mal na forma de uma grande serpente que se contorcia no espaço e se lançava com força no meio do rio. O estrago da ira do mal foi enorme e uma cratera se abriu no fundo do rio. As águas todas se precipitaram nessa cratera, inclusive Naipi, Tarobá e a canoa. Foi assim que se formaram as cataratas do Rio Iguaçú.

O mal ainda fez mais, transformou Tarobá num palmeira no alto das quedas e Naipi numa pedra no fundo das águas, na mesma direção de Tarobá. Assim, pensava o mal, cada um dos dois ficará eternamente a se contemplar sem poder chegar perto um do outro ou trocar um abraço. Porém, a história provou que o bem sempre triunfa sobre o mal, pois o amor venceu, de alguma forma. Quando o vento minuano vem assobiando do lado sul, ele sacode a copa da palmeira e Tarobá aproveita para enviar a Naipi sussurros de amor. Quando chega a primavera, lança flores de seu cacho para saudá-la com ternura. Naipi tem um véu formado pelas águas limpas e brilhantes que lhe adorna a fronte e a consola. O arco-íris, de tempos e tempos, uni a plameira com a pedra e este é o momento sagrado da realização do amor dos dois. O fogo eterno da paixão que vive em Tarobá e Naipi se realiza a cada arco-íris que surge.  (BOFF, Leornado. O casamento entre o céu e a terra: Contos indígenas do Brasil, Rio de Janeiro: Salamandra, 2001.)

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