segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Magia, o que é?


A magia sempre foi um fenómeno passível de inúmeras definições e interpretações, na maior parte das vezes altamente contraditórias.·

Segundo o Codigo Teodosiano, existem 9 tipo de actividades magicas, sendo elas:

* 1- a adivinhação
* 2- a astrologia
* 3- a execução de trabalhos em Templos Pagãos e a Deuses Pagãos

* 4- a posse de livros magicos secretos

* 5- a produção e uso de amuletos
* 6- a Necromancia
* 7- a arte dos encantamentos
* 8- o uso magico de palavras e simbolos ocultos
* 9- a criação de poçoes de amor


Em todos os casos, a magia segundo o grande Teólogo São Agostinho, é uma pratica espiritual intimamente ligada aos espiritos dos mortos e a espiritos das trevas. A igreja, por isso sempre considerou qualquer forma de magia, enquanto a arte de produzir fenómenos sobrenaturais com a ajuda de espíritos impuros ou demónios, ou seja, no fundo sempre reduziu todo o fenómeno magico a algo maligno e consequentemente á magia negra.


Engane-se por isso aquele que pensa que pode recorrer a alguma forma de magia branca que esteja autorizada pela teologia crista, pensando que não esta cometendo um pecado, pois na doutrina crista não há magia branca, há apenas magia, e toda a magia é impura, seja qual for a sua cor.


Ao descrever magos, feiticeiros e todos os praticantes de magia, Santo Agostinho dizia que esse tipo de místicos eram caracterizados apenas por 2 coisas: união com espíritos impuros e uma ganância inigualável. Aliás, segundo o histórico teólogo, a verdadeira distinção entre os sacerdotes da Igreja e os Magos ou Bruxos, residia precisamente nessa nesse aspecto:


- enquanto que o sacerdote procura levar uma vida humilde, regrada, altruísta e em rigorosa obediencia á vontade de Deus, o Bruxo procurava reputação, honrarias e riquezas.



Tambem no apócrifo livro de Enoch, é possível ler que os magos e feiticeiros trabalham «cortejando a notoriedade e a ostentação (....) e sempre se vangloriam de saber e ter mais coisas que as outras pessoas.»


Sao Agostinho afirmava que ao contrario, os sacerdotes da igreja não trabalhavam para o lucro, mas sim por fé e compaixão.


Por outro lado, os ocultistas costumam distinguir entre magia branca, e magia negra.


Na generalidade, entende-se a magia branca como a magia realizada para praticar o bem, ao passo que a magia negra é aquela realizada com praticar o mal.


Outros ocultistas porem questionam e argumentam:


«sendo que o bem de uma pessoa, é o mal de outra, como é possível afirmar que alguém esta praticando magia branca ou negra, senão e apenas em função da perspectiva subjectiva de cada um de nós?»


Por exemplo:


Através da magia, uma mulher conquista o homem amado. Para essa mulher que benificou do processo espiritual, a magia foi certamente branca, pois trouxe o seu bem. Mas para uma outra segunda mulher que perdeu esse mesmo homem, que dizer? Para essa outra mulher, certamente tratar-se-á de magia negra, pois trouxe-lhe a perda e a solidão.


Complicado? Fica mais.


Pois os ocultistas que observam este fenómeno, tendem a centrar a definição de magia, (branca ou negra), noutro aspecto do processo magico.


Para esses, a magia não é branca ou negra consoante os seus fins são bons ou maus,( como vimos, isso é altamente subjectivo), mas antes no tipo de entidades espirituais que essas praticas magicas invocam.


O mesmo será dizer que a magia é branca quando invoca espíritos da luz para dialogar com estes, sendo que a magia é negra quando invoca espíritos das trevas para lhe pedir o cumprimento de certos fins.


Claro esta, que esta definição reconduz-nos sempre á questão original: estamos num caso lidando com espíritos de luz, ( do bem), e espíritos das trevas, ( do mal), e por isso parece que tudo regressa á sua forma inicial.


No entanto, segundo esta definição, leva-nos a deparar com outro problema de ainda maior complexidade:


Existem imensos exemplos bíblicos de como a magia branca pode ser usada para fins altamente destrutivos.


Inúmeros exemplos disso podemos ver na Bíblia, onde invocações a anjos foram feitas com a finalidade de dizimar cidades, ou de destruir exércitos, ou de aniquilar milhares de pessoas. Mais exemplo disso, vemos quando invocações são feitas a Deus, para que Deus envie espíritos maus para junto de inimigos.Mais exemplo encontramos disso, quando através de invocações aos espíritos de luz de Deus, ou mesmo ao espírito de Deus, Moisés lança devastadoras pragas sobre o Egipto. Mais exemplos disso vemos quando os reis Hebreus, por mais que uma vez conjuraram espíritos de Deus, para dizimar pessoas ou amaldiçoar outros reinos.


Se é verdade que a bíblia condena com severidade certas praticas magicas, no entanto também é verdade que magos foram Balaão, Moisés, Daniel, Samuel, e outros tantos personagens bíblicos, que usaram invocações aos espíritos divinos para realizar os fins desejados, que fizeram profecias, que conjuraram espíritos, que tiveram visões, que estudaram os mistérios esotéricos ocultos nos sagrados textos, que lançaram bênçãos e maldições, entre tantos outros actos de pura magia branca.


Se é verdade que a Bíblia condena severamente as artes divinatórias como a astrologia ou a necromancia, no entanto também é verdade que a mesma recomenda avidamente o exercício da profecia, assim como estipula o lançamento de sortes, ou as inovações espirituais a espíritos de Luz, ou o uso divinatório de varas, entre outros tantos métodos mágicos, como legitimas formas de praticas espirituais poderosíssimas. E se é verdade que a Bíblia condena o contacto com espíritos, a verdade é que Jesus contactou com espíritos de profetas mortos. E se é verdade que a Bíblia condena os magos, a verdade é que foram magos que confirmaram a vinda de Jesus ao mundo.


Como podemos concluir, por um lado as contradições bíblicas sobre a magia são muitas, ao passo que verificamos na própria bíblia que a magia branca ,( contacto com seres de luz ou anjos), pode ser usada para fins destruidores e objectivos devastadores.


No entanto , tambem sabemos que a magia negra pode ser usada para fins positivos.


O maior exemplo disso mesmo, é o ritual de exorcismo. Na verdade, o ritual de exorcismo é um acto de magia negra, pois todo o ritual espiritual que visa contactar demónios, ( seja para que finalidade for), é um acto de magia negra.


Ora, neste caso os demónios são contactados e com eles existe um dialogo, mas com uma boa finalidade: a de expulsa-los de uma pessoa.


Como podemos então concluir, a magia negra também pode ser usada para fins positivos.


Mas se magia branca que invoca espíritos de luz pode ser usada para o mal, e magia negra que invoca espíritos das trevas pode ser usada para o bem, então qual a definição de magia branca ou magia negra?


Talvez aqui, a doutrina crista esteja parcialmente correcta em certo aspecto.


Na verdade, muitos ocultistas acreditam que a magia é branca quando praticada gratuitamente, por compaixão e desinteressadamente, ao passo que a magia é negra, quando é realizada em troca de lucro.


Por isso, a Magia branca, tecnicamente deveria ser a magia praticada sem fins lucrativos, apenas por caridade, altruísmo, bondade e compaixão, enquanto que a magia negra é aquela que é praticada com fins puramente lucrativos, sendo que nessa, um sacerdote é pago para produzir um determinado fim através de processos espirituais.



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