sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Mazirian, o mágico


Mergulhado em pensamentos, Mazirian, o mágico, caminhava por seu jardim. Árvores carregadas de intoxicações sobrepairavam em seu caminho, a as flores faziam obedientes reverências quando ele passava. Apenas uma polegada acima do solo os olhos das mandrágoras, embaciados como a ágata, seguiam os passos de seus pés calçando chinelos pretos. Assim era o jardim de Mazirian - três terraços repletos de uma vegetação estranha e maravilhosa. Algumas plantas flutuavam com iridescências cambiantes; outras sustentavam flores pulsantes qual anêmona-do-mar; púrpura, lilás, rosadas, amarelas. Além cresciam árvores que se assemelhavam a guarda-sóis emplumados, árvores com troncos emaranhados de veias vermelhas e amarelas, árvores com folhagens como lâminas de metal, cada folha um metal diferente - cobre, prata, tântalo azul, bronze, irídio verde. Mais além havia flores como bolhas gentilmente retorcidas por sobre verdes folhas vítreas; acolá um arbusto sustinha mil esporos em forma de cachimbo que murmuravam suavemente uma música para a antiga Terra, a do sol vermelho rubi, da água minando pelo solo negro, dos lânguidos ventos. E para além das sebes de divisa, as árvores da floresta formavam um imenso muro de mistério. Nessa hora crepuscular da vida sobre a Terra, nenhum homem poderia se dizer familiarizado com os vales profundos, as clareiras, as gargantas e os estreitos, as roças esquecidas, os pavilhões em ruínas, os gozos do sol mosqueado, as profundezas e os cimos, os variados riachos, córregos, lagoas, as campinas, os matagais e as penhas escarpadas. Mazirian caminhava por seu jardim, perdidos em pensamento. Seu passo era lento e seus braços se juntavam às costas. Havia alguém ...

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